Apresentação de REBENTAÇÃO - Primeiro CD de Daniel Dias

Apresentação de REBENTAÇÃO - Primeiro CD de Daniel Dias

  • Postado por: Nanah Livraria

Foi com muita alegria que acolhi o convite do meu jovem amigo irmão Daniel

Dias, para que tecesse algumas impressões sobre este seu primeiro trabalho

gravado, o Rebentação. À medida que ia ouvindo as faixas, fui me deliciando

com a beleza e consistência deste trabalho por demais maduro e original, que

de certa forma acompanhei em sua gestação, nos momentos finais da formação

deste talentoso artista na Escola de Música da Unicamp. Ainda estudante,

sempre com seu violão do lado, volta e meia me mostrava suas experimentações

harmônicas na vértebra de canções consagradas da MPB e um ou outro standard

americano sobre a qual sempre inseria nova roupagem, com irretocável bom

gosto. E o resultado está aí, para deleite de todos nós, tanto nas faixas

solo como Manhã de Carnaval e My Romance quanto nas faixas em duo que divide

com seu mestre maior Toninho Horta (guitarra, violão e voz) e o

especialíssimo trompete de Walmir Gil. Na faixa Blue in Green, em trio, é

luxuosíssima a guitarra de cobertura do Toninho e o Walmir quebra tudo com

seu trompete brasileiro muito pessoal e malandro, sendo o momento mais

radical no que tange a reharmonização. Trabalho muito honesto, por revelar

suas fontes, com muita força, ideias diferentes e consistência de harmonia,

onde o executante corre muitos riscos, mexendo bastante na fluidez da ideia

que o ouvinte tem da canção. Nisso, mais estende que encurta e vai bem em

todas as faixas, em natureza desencontrada com um propósito expressivo, numa

explosão de polifonia sincrônica livre, em torno da melodia. O CD, com tempo

total dos velhos long-plays, nos surpreende a cada momento. Dividi a audição

do trabalho com o guitarrista e professor Budi Garcia que explanou com muita

propriedade: “Eu acho que ele equilibrou bastante a participação vocal com o

instrumental, já que não é um disco de canção e não soa como tal, também não

é um disco de jazz. O centro é a harmonia, o tratamento, a métrica, em que

se destaca a interpretação e sonoridade do violão dele.” Realmente uma

beleza, uma rebentação de vida e arte nestes tempos de conformidade.”


Antonio Dias Nanah

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